Primeiro foram seus olhos. Aliás, que clichê foi nosso amor,
desde o início, Olívia.
O sentimento, ainda desconhecido, me focalizava pelo
cristalino , confundia tua íris com a
cor da minha alma e na retina
embaralhavam-se letras. O verso
ainda se formaria e os sonetos passariam a ter seu nome.
Eu, que sempre quis
surpreender. Sempre quis qualquer
coisa que fugisse ao convencional. Mas, Olívia, nós não conseguimos fugir do “lugar comum” -mais
um vez-, e nosso amor esteve escrito em sonetos. Nada de melodias bachianas.
Eu poderia te encontrar durante um espetáculo de balé, ou
numa sala de cinema em que estivessem exibindo
filmes da pornochanchada, mas
escolhemos o lugar de encontros cotidianos e eu te esperei escondendo meu encantamento por
ti atrás de uma pequena xícara de café expresso.
Não sei se o rubor era só psicológico mas parecia que o ligeiro
acelerar de batimentos que acarretava um tremer das mãos, seria meu
estado mais normal a partir daquele dia.
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