sábado, 18 de fevereiro de 2012


"Quero ser a cicatriz
Risonha e corrosiva
Marcada a frio
Ferro e fogo
Em carne viva..."




Ainda bem, Olivia. Ainda bem que quando eu pude segurar o ardor do fogo em mim eu consegui. Eu já havia previsto a rapidez do nosso fogo em vc, feita inteira de palha. Mas eu sou madeira, Olivia. Eu sou madeira que fica marcada. Demora um pouco mais para queimar e a marca é um pouco maior, mas apaga. Na palha o fogo consome inteira  e é tudo muito rápido. 
Me dê tempo de respirar, Olivia, e eu voltarei a pensar em vc.
Me dê tempo de te olhar nos olhos e me encare com o mesmo ardor da tua palha, e eu voltarei a pensar em você, Olivia.
Madeira queimada causa um estrago danado, mas eu fui forte, sabia? 
Olivia; eu sempre soube que você, como que espiã, ficaria atrás da porta. “Sem carinho, sem coberta. No tapete atrás da porta”. Eai você reclamaria, baixinho para ngm ouvir,  sua solidão e sussurraria súplicas. Porque você é mais sensível do que aparenta ser, Olivia. E eu e sua mãe já sabemos disso.
 Eu cederia, mas agora eu era ferro, Olivia. "Agora eu era herói", Olivia. Eu resistiria  mais que outras vezes, e ainda mais que a palha.
Eu tenho medo, agora. Por favor, preste atenção: ferro esquenta e, se muito quente, quando vc encosta fere. 


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