quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Os dragões não conhecem o paraíso, onde tudo acontece perfeito e nada dói nem cintila ou ofega, numa eterna monotonia de pacífica falsidade. Seu paraíso é o conflito, nunca a harmonia


Senti meus pés crescendo quando vi Olivia. É, ela entrou na minha vida sem dizer porque, com seu mau humor e um vestido rodadinho com all star sem meias, era verão e a sua atitude me deixou extasiada. Me senti desafiada para um jogo novo e imprevisível, eu precisava dar significado.
Descobri a doçura da vida nas curvas de Olivia e a beleza das acácias em floração. É impossível esquecer daquele verão em que o campo floriu. E ao andar até a casa de Olivia, por muitas vezes fechei meus olhos e senti apenas o cheiro das acácias silvestres.
Bons ventos me lavaram aos braços de Olivia, sempre dona de si. Ela foi o nascer do sol, para mim. Foi com ela que sorri quando nasci para o mundo...
O campo serenado, as vozes do ribeirão até hoje lembram as noites em que Dionísio protegeu nosso segredo no silencio daquela casa “árvore”, no campo, insone pelo barulho da nossa cama.
Noites de tempestade também me lembram Olivia. Seu gênio forte e sua maneira de levantar o nariz. Ela também me lembra as noites mais assustadoras em que eu estive solitária, em meu quarto quadrado, feito uma lagartixa dentro da caixa. Tormentas me lembram Olívia. Vinho me lembra Olívia.
A-v-e-n-t-u-r-a...
Segredos sempre guardaram a nossa relação.Olívia foi a minha primeira amora, eu que não sabia o que era amar...
Antes de Olívia, em vales longínquos existiram Wagner, Otávios, Augustos. Alguns homens brutos, os quais, nunca tive muito tato nem nada que beirasse um amor. Ninguém despertou meu dragão antes deOlívia. E o fogo de Dionísio, ascendido por ela bebendo vinho, apagamos, nós duas, com chuvas de pedras e tempestades, mas ainda restou sentimento e bem querer. Para Olívia “somos movidas por uma paixão eterna que nos aproxima e nos repele sem nunca mudar”.
Nossa relação nunca foi compromisso, foi além e nunca fizemos questão de por um nome. Não fui amante, namorada, não somente amiga, nunca fui da família, apesar de por muitas vezes me sentir um pouco de cada coisa. Nem eu nem Olívia nos importamos muito com rótulos, somente com aquele da geleia de morango que nos lambuzamos no ultimo café da manhã do nosso amor.


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